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Doenças

Entendendo a Dilatação Vólvulo Gástrica

Mayra Catharino747 views

Hoje o Divã Veterinário vai abordar uma enfermidade que é praticamente um pesadelo para todos: A Dilatação Vólvulo Gástrica (DVG).

Essa doença é caracterizada por um rápido acúmulo de ar no estômago, levando o órgão a um mal posicionamento – uma torção – que terá como consequência o aumento de pressão dentro do estômago (intragástrica) e o choque hipovolêmico (queda brusca da pressão arterial). É uma condição aguda, ou seja, o animal fica ruim rapidamente. – Podendo ser questão de horas!

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A torção do estômago acaba por diminuir o espaço das veias, reduzindo o retorno sanguíneo (choque hipovolêmico), o que faz o corpo querer compensar, aumentando os batimentos cardíacos (taquicardia) e contraindo os vasos sanguíneos (vasoconstrição). Essa condição leva a lesão isquêmica de vários órgãos (lesões devido à ausência de oxigênio) e a morte do animal. – As taxas de perda de pacientes acometidos por DVG são altíssimas.

A causa é desconhecida, mas muitos autores já associaram diversos fatores que aumentam o risco do animal desenvolver a DVG. Entre eles, estão:

  • Raças grandes ou gigantes, principalmente aquelas que possuem o tórax profundo e estreito, como por exemplo o Weimaraner, São Bernardo, Gordon Setter e o Setter Irlandês. – Apesar dessas raças serem mais predispostas, há relatos em raças pequenas e até em gatos.
  • Animais que se alimentam apressadamente. – Ficam desesperados ao avistarem a comida, isso é muito comum em cães que passaram fome.
  • Cães que possuem pais com histórico de DVG.
  • Poucas refeições ao dia com grandes quantidades de alimento.
  • Rações secas e ricas em óleos.
  • Exercícios após a alimentação.
  • Cães que passaram por esplenectomia (retirada do baço). – Supõe-se que sem o baço há mais espaço livre no abdômen para o estômago rotacionar.
  • Cães machos e animais de idade avançada. – Alguns autores associam essas características à DVG.
  • Debilidade dos ligamentos hepatoduodenal (liga o fígado ao intestino) e hepatogástrico (liga o fígado ao estômago) – A frouxidão desses ligamentos permite uma maior movimentação do estômago.

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Os animais acometidos pela DVG apresentam distensão abdominal progressiva (em palavras simples: a barriga do animal aumenta de tamanho rapidamente), hipersalivação, ânsias de vômito improdutivas (que “não coloca nada para fora”), agitação e dor abdominal. Em quadros mais avançados o animal apresenta fraqueza e depressão, quase não se movimentando, devido à queda da pressão arterial.

Para salvar o animal é necessário intervenção cirúrgica. – Alguns casos, onde é diagnosticado precocemente, e que o estômago ainda não rotacionou, pode-se aliviar a dilatação com sondagem. Mas não são casos frequentes, pois geralmente o paciente já chega em estado grave.

Eu me referi a DVG como um pesadelo, pois essa doença exige demais de todos. O tutor necessita ser observador e rápido para levar seu animal ao hospital veterinário, o clínico precisa ser perspicaz e diagnosticar o mais depressa possível e os cirurgiões e anestesistas nem precisa falar, afinal é uma cirurgia de emergência. – Sem contar o quanto exige do animal.

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Mas você, como um bom tutor, deve estar preocupado em como prevenir a DVG. Então aí vão algumas dicas:

  • Se você tem algum pet que se encaixa nas raças predispostas, atenção em dobro. Sempre é bom ter em mãos o telefone de algum médico veterinário que atenda emergências. Também é bom saber se há hospitais ou clínicas 24hrs perto da sua casa. – Afinal, o seguro morreu de velho!
  • Caso o cão coma apressadamente, comece a espalhar a comida pelo chão. Assim ele terá que pegar grão por grão, reduzindo a velocidade que se alimenta. – Importante que o chão esteja limpo, ok?!
  • Se o seu animal já teve algum caso de DVG, não permita que ele cruze. Filhotes dele terão mais propensão a ter esse problema e você não vai querer passar por esse desespero duas vezes. – Nem deixar outras pessoas passarem por isso. Pelo menos eu espero que não!
  • Aumentar o número de refeições ao dia, afim de diminuir a quantidade de alimento fornecido a cada refeição.
  • Evitar passeios e brincadeiras após a refeição. Caso o animal seja muito elétrico, restrinja o ambiente por meia hora após ele se alimentar.

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E por hoje é isso! Espero ter conseguido passar um pouquinho sobre a doença. Não esqueçam de COMPARTILHAR o post e me ajudar a levar essas informações para mais pessoas!  Qualquer dúvida, só deixar nos comentários.

Um SUPER beijo e até a próxima!


Referências Bibliográficas:

  1. ETTINGER, S. J.; FELDMAN, E. C. Tratado de Medicina Interna – Doenças do cão e do gato. 5. ed. 2 V. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro 2004. 2236p.
  2. NELSON, R.W.; COUTO, C.G. Medicina Interna de Pequenos Animais. 4 ed. Elsevier, Rio de Janeiro, 2010, 1468p.
  3. CRIVELLENTI, L. Z. ; BORIN C., S. . Casos de Rotina em Medicina Veterinária de Pequenos Animais. 2. ed. São Paulo: MedVet Ltda., São Paulo, 2015. v. 3.000. 840p .
  4. SANTALUCIA, S. ; CASTRO, J. L. C. ; CASTRO, V.S.P. ; RAISER, A. G. . Síndrome da dilatação volvo gástrica em cães. Ciência Rural (UFSM. Impresso), v. 42, p. 122-130, 2012. – download aqui.

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Mayra Catharino
Médica Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), apaixonada por fotos e bichos. Enxergou na internet a oportunidade de ajudar pessoas e pets, se encantando pela blogosfera, criando assim o Divã Veterinário. Para saber mais, clique aqui

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