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Doenças

Entendendo o SERTOLIOMA

Mayra Catharino928 views

Os posts sobre oncologia voltaram! O Grupo Cão Vida, que é um grupo de apoio aos tutores e familiares de cães com câncer, é quem me inspira a escrever esse tipo de texto. Se você está passando por isso, dá uma conferida, pois lá você vai encontrar suporte emocional, matérias enriquecedoras e muitas informações. E se esse é o primeiro texto que você lê sobre o assunto, indico dar uma olhada no meu post anterior (clique aqui), pois explico os termos básicos do assunto.

Hoje vou falar sobre um tumor que acomete os testículos. Escolhi esse assunto, pois foi tema do meu relatório final de estágio. – Nada melhor que aproveitar conteúdos estudados! Ao lado, a foto do dia que entreguei o relatório *-*

Os tumores testiculares são muito comuns em cães idosos e representam a segunda área mais acometida pelas neoplasias, perdendo apenas para os tumores de pele.
O sertolioma está entre os principais tumores que acometem o testículo e consiste em uma neoplasia das células de Sertoli. Essas células são essenciais para a produção de espermatozoides, pois atuam no suporte, na proteção e no suprimento nutricional dos gametas.

Cães criptorquídicos, aqueles que não possuem um ou os dois testículos dentro do escroto, tem maiores riscos de desenvolverem sertoliomas. Estima-se que as chances de desenvolver essa neoplasia aumente em 26 vezes.

Animais acometidos pelo sertolioma costumam apresentar:

  •  Aumento do testículo afetado. Ele pode estar na cavidade abdominal ou no canal inguinal de cães criptorquídicos  ou no escroto de cães normais.
  • Hiperestrogenismo (aumento de estrógeno). O estrógeno é um hormônio presente tanto em fêmeas, quanto em machos; porém, em grandes quantidades, imprime características de fêmea ao animal. Por isso, cães com sertolioma desenvolvem o que chamamos de síndrome paraneoplásica de feminização que consiste na ginecomastia (aumento das mamas), galactorreia (produção de leite), prepúcio pendularatrofia do  testiculo contralateral (não acometido) e atrofia do pênis.
  • Problemas de pele associados com hiperestrogenismo também são muito comuns, são eles: A pelagem opaca com pelos facilmente destacáveisalopecia bilateral simétrica (perda de pelos de forma igual, em ambos os “lados” do cão), hiperpigmentação da pele (a pele do cão fica escura) e infecções secundárias.

sertoliomaB(Foto retirada do artigo¹)

A boa notícia – se é que pode ser chamada de boa! – é que os sertoliomas geralmente são tumores benignos. Somente 10% são malignos com metástase para os linfonodos, pulmões, fígado, baço, rins e/ou pâncreas.

O tratamento e a evolução do quadro dependerá do estado do animal e da presença de metástase. Se for um tumor benigno, o tratamento consistirá em orquiectomia terapêutica (castração) e tratamento dos sintomas, como por exemplo das infecções secundárias de pele.sertolioma 2De maneira geral, o sertolioma é um tumor fácil de se lidar. Mas melhor ainda é prevenir! Podemos prevenir essa doença e outros tumores testiculares castrando nossos animais. A castração impede as neoplasias, pois retiramos os testículos; reduz o risco de outras doenças, como por exemplo a hiperplasia prostática benigna; melhora o comportamento e impede crias indesejadas. – É muito benefício para um procedimento cirúrgico simples!

Importante salientar que a castração dos cães criptorquídicos é E-S-S-E-N-C-I-A-L! Não só pelo alto risco de desenvolverem tumores testiculares, como já dito anteriormente, mas também pelo fato de ser uma condição hereditária, ou seja, filhotes de cães criptorquídicos possuem grandes chances de serem criptorquídicos.

sertolioma 3E por hoje é só! Espero que essas informações sejam úteis à todos.
Se quiser sugerir algum tema, deixe aqui nos comentários. Eu vou amar!

Um SUPER beijo e até a próxima!


Literatura utilizada:

  1. RIAL, A.F. et al. Relato de caso: Hiperestrogenismo em cão decorrente de sertolioma. PUBVET, Londrina, V. 4, N. 31, Ed. 136, Art. 922, 2010 – clique aqui.
  2. BERTOLDI, J. et al. Sertolioma em cão associado à criptorquidismo bilateral – Relato de Caso. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, São Paulo, n. 22, jan. 2014 – clique aqui.

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Mayra Catharino
Médica Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), apaixonada por fotos e bichos. Enxergou na internet a oportunidade de ajudar pessoas e pets, se encantando pela blogosfera, criando assim o Divã Veterinário. Para saber mais, clique aqui

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