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Doenças

Exames utilizados no diagnóstico oncológico

Mayra Catharino608 views

Existe um caminho, algumas vezes longo, entre a suspeita inicial de câncer e o diagnóstico definitivo. Muitos casos são simples e alguns poucos exames já conseguem guiar o médico veterinário para o diagnóstico e, principalmente, para o protocolo terapêutico a se utilizar. Porém, outros tantos casos são complexos e necessitam de uma lista maior de exames.

Pense na doença como um quebra-cabeça. Cada exame, cada detalhe, fornece uma peça (uma informação) e cabe ao clínico montá-lo. Alguns casos são quebra-cabeças de 20 peças, outros são aqueles gigantescos, de 1500 partes. E se já não bastasse esse tipo de dificuldade, muitas “peças” aparecem em vários tipos de doenças. – Por isso os resultados dos diversos exames são importantes!

Refletindo sobre isso, decidi explicar um pouco dos exames utilizados no diagnóstico oncológico. O intuito não é tornar ninguém especialista – até porque não sou uma! -, mas ajudar nesse momento tão delicado da vida de um animal e seu tutor. A notícia é tão pesada, tão atordoante, que por muitas vezes, os responsáveis acabam saindo do consultório sem saber quais exames foram realizados, quais serão feitos na próxima consulta e muito menos para quê eles servem. – Não que os médicos veterinários não expliquem, mas o choque da notícia é tão grande que muitas informações não são absorvidas.

Importante deixar claro que nem todo exame necessita ser realizado. Isso depende da suspeita, da saúde do paciente, das condições financeiras do tutor e do possível tratamento a ser seguido. – Então não se descabele caso seu animal não tenha feito algum dos exames citados, talvez não seja necessário. Em caso de dúvida, converse com o profissional responsável pelo caso.

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  • Exame físico: Pode parecer bobo estar falando da importância desse exame, mas muitas pessoas não conhecem a riqueza de dados que esse contato fornece. Além de analisar possíveis neoformações cutâneas, mamárias e em outras partes do corpo do animal, são verificadas as funções vitais, como a temperatura, coloração das mucosas, hidratação, frequência respiratória e cardíaca. Também realiza-se a auscultação cardiopulmonar (onde verifica-se os tipos de som e possíveis arritmias), palpação abdominal e mais um universo de testes, como os exames neurológicos. Além de claro, buscar mínimos detalhes nos relatos dos tutores. – Por isso que, muitas vezes, colegas do clínico são chamados para avaliar o animal em conjunto e repetem algumas perguntas. E nesse contato, inúmeras peças do quebra-cabeça são encontradas.
  • Exames hematológicos: Também conhecidos como exames de sangue, são importantes para analisar alterações diretas ou indiretas das neoplasias, sendo uma das mais comuns a anemia. Além disso, são importantes para detecção de alterações que não necessariamente são neoplásicas, mas coexistem com a doença, influenciando o tratamento. Esses exames também são utilizados durante a quimioterapia e outros tratamentos, afim de avaliar o estado do paciente.

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  • Exames bioquímicos: Possuem praticamente o mesmo propósito que os exames hematológicos, mas analisam a função de outros locais e órgãos, como por exemplo fígado e rins. O bioquímico também é utilizado para analisar a resposta do tratamento antineoplásico.
  • Exames de imagem: O principal objetivo desses exames é localizar e mensurar neoplasias e metástases.
    • Radiografia: Geralmente o raio-x é muito utilizado para analisar o tórax do animal. Os pulmões são órgãos muito acometidos por metástases, devido sua irrigação sanguínea.
    • Ultrassonografia: Comumente realizada para verificação do abdomen. Traz informações importantes sobre neoplasias e metástases.
    • Tomografia computadorizada e ressonância magnética: São técnicas mais cara, não tão comuns no mercado veterinário, porém são mais sensíveis. Podem ser necessárias para alguns tipos de neoplasias situadas em regiões difíceis, como por exemplo neoplasias dentro do crânio ou do focinho.

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  • Exames citológicos: É análise microscópica das células individuais da massa tumoral. Existem vários métodos de coleta, como por exemplo a Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF), que consiste na minúscula perfuração do tumor com uma agulha de seringa; Swabs, que nada mais são que cotonetes estéreis esfregados no local atingido; Esfregaços por Impressão, quando se pressiona gentilmente a lâmina contra lesões ulceradas e com secreção; entre outros métodos. As técnicas de processamento, como coloração e utilização de marcadores, dependem da suspeita.
    A citologia, muitas vezes, indica o tipo tecido que deu origem e a possível malignidade daquela neoplasia.
  • Exames histopatológicos: É análise do tecido em si, levando em conta suas características macro e microscópicas. Auxilia na verificação da organização do tecido, infiltrações em outras camadas, presença de cápsula… Enfim, avalia toda a arquitetura do tecido. É uma peça chave em muitos diagnósticos, por ser um exame mais completo e preciso. Porém, é necessário realização de biópsias ou remoção de toda a neoplasia, o que exige anestesiar ou sedar o animal.
    As técnicas de processamento, como coloração e utilização de marcadores, também dependem da suspeita.

Esses são alguns dos exames utilizados no diagnóstico oncológico. Felizmente o mercado veterinário está em crescente expansão, disponibilizando cada vez mais novos testes, o que ajuda na identificação e tratamento de tumores.

Caso seu cachorro tenha sido diagnosticado com câncer, venha procurar ajuda no Grupo CãoVida, um grupo do Facebook que tem intuito de apoiar e levar informações aos tutores.  – Essa matéria faz parte do conteúdo dessa iniciativa tão nobre.
Espero que a matéria auxilie, mesmo que minimamente, essa fase tão delicada.

Um super beijo e até a próxima!


Literatura utilizada:

  1. RODRIGUES, L. C. S.; LUCAS, S. R. R. Avaliação Clínica do Paciente Oncológico. In: JERICÓ, M. M; ANDRADE NETO, J. P. de; KOGIKA, M. M. Tratado de medicina interna de cães e gatos. 1 ed. Rio de Janeiro: Roca, 2015, cap.54, p.500-506.
  2. SANCHES, D. S.; TORRES, L. N.; GUERRA, J. M. Diagnóstico Histopatológico e Citológico das Neoplasias de Cães e Gatos. In: JERICÓ, M. M; ANDRADE NETO, J. P. de; KOGIKA, M. M. Tratado de medicina interna de cães e gatos. 1 ed. Rio de Janeiro: Roca, 2015, cap.56, p.516-520.

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Mayra Catharino
Médica Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), apaixonada por fotos e bichos. Enxergou na internet a oportunidade de ajudar pessoas e pets, se encantando pela blogosfera, criando assim o Divã Veterinário. Para saber mais, clique aqui

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