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Mania de Raça: Husky Siberiano

Mayra Catharino466 views

Mais uma matéria da série “Mania de Raça”, só que dessa vez em um novo formato: Em vídeo!
Dessa vez vou falar sobre o Husky Siberiano.

husky siberiano 2

Como prometido no vídeo, aqui está a lista de doenças que podem afetar essa raça:

1. Adenomas da glândula perianal: Tumor benigno da glândula perineal, comuns em cães geriátricos, principalmente em machos não castrados devido crescimento mediado pela testosterona. Sintomas mais comuns são dores e presença de sangue na região perianal.

2. Alopecia pós-tosa: Ausência completa ou parcial de pelos (em áreas que costumavam ser peludas), após a tosa do animal.

3. Atrofia progressiva da retina: É uma doença hereditária (ou seja, passa de geração para geração). Cães afetados geralmente mostram uma cegueira noturna inicial que é seguida por uma perda progressiva de visão diária, culminando em cegueira completa.

4. Catarata: Doença hereditária (que passa dos pais para o filhote) caraterizada pela opacificação do cristalino, causando perda parcial ou total da visão.

5. Ceratite Superficial Crônica: Também conhecida como Pannus Oftalmológico, Síndrome de Uberreiter e Pannus degenerativo. É caracterizada por uma lesão avermelhada e vascularizada na parte inferior da córnea. É indolor, mas ao avançar causa cegueira.

husky siberiano 36. Displasia coxofemoral: Doença hereditária caracterizada pela má formação da articulação do quadril, causando uma incongruência (encaixe imperfeito) entre a cabeça do fêmur e a pelve (bacia), ocasionando degeneração da própria articulação. Os sintomas mais comuns são: Diminuição da atividade física; dificuldade para se levantar; relutância em correr, saltar ou subir escadas; claudicação (mancar) e dor.

7. Entrópio: Inversão parcial ou total da margem palpebral em direção ao globo ocular. Se não tratada pode causar irritação e ulceração da córnea. Em casos graves pode ocasionar perda da visão.

8. Epilepsia Idiopática Genética Primária: É um doença hereditária caracterizada por um funcionamento anormal do cérebro, apesar da órgão possuir uma estrutura morfológica normal. A causa é desconhecida e o principal sintoma é a convulsão.

9. Glaucoma: Doença hereditária caracterizada pelo aumento da pressão intraocular. Uma de suas causas é a configuração anormal do ângulo de filtração (goniodisgenesia) responsável pela drenagem do humor aquoso (líquido que preenche as câmaras oculares). A goniodisgenesia está presente em várias raças do círculo ártico, inclusive no Husky Siberiano.

10. Granuloma eosinofílico oral: É uma rara doença caracterizada por nódulos e placas na boca, nas amígdalas e/ou pele. Sua causa é desconhecida, mas acreditasse que agentes infecciosos como bactérias, parasitas e fungos possam estar envolvidos. Husky Siberiano e Cavalier King Charles Spaniel são as raças mais comumente afetadas.

11. Hipopigmentação Nasal Sazonal: A coloração escura normal do focinho desbota gradativamente para castanho-claro ou rosa. Costuma ser sazonal ou lentamente com a idade. (Mas atenção, essa despigmentação pode ser natural, mas também pode ser sintomas de outras doenças. O acompanhamento veterinário é imprescindível!)

12. Lúpus eritematoso cutâneo (discóide): Doença auto-imune caracterizada por despigmentação do focinho e/ou lábios que pode progredir para erosões e ulcerações. Pode também envolver a orelha, região periocular e raramente patas e genitálias. Não se sabe a causa exata dessa doença, mas acreditasse na provável predisposição genética (ou seja, animais com essa doença não devem procriar). Os sintomas pioram conforme a exposição ao Sol.

13. Síndrome uveodermatológica:  É semelhante à síndrome de  Vogt-Koyanagi-Harada que afeta seres humanos. É um distúrbio auto-imune que causa uveíte granulomatosa (inflamação da iris, do coróide e do corpo ciliar com formação de nódulos na íris) de início súbito que pode ser dolorosa e pode evoluir para cegueira.
Ocorre a despigmentação (a pele fica rosea/branca) do nariz, lábios e pálpebras. Os coxins podais (“almofadas” das patas), a bolsa escrotal, o ânus e o palato duro (céu da boca) também podem sofrer despigmentação.

14. Surdez: O Husky Siberiano é apontado como uma das raças que pode ter surdez congênita que é causada por alterações no órgão de Corti que ocasiona surdez parcial ou total. Os filhotes nascem com essa alteração, ou seja, nascem surdos.

Importante ressaltar que animais com doenças hereditárias NÃO devem cruzar. Filhotes de pais com doenças hereditárias estão fadados a ficarem doentes, a sofrerem… E ninguém quer isso, não é?!

husky siberiano 4Outro aviso importante: Caso você queira uma animal dessa raça, procure criadores responsáveis que tratem o animal com respeito e carinho, dando alimentação adequada para todas as fases da vida, respeitando o tempo entre as gestações e fazendo exames para controlar o aparecimento de doenças hereditárias. Não incentive pessoas más intencionadas que utilizam do animal como mercadoria!

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Literatura utilizada:

  1. AMERICAN KENNEL CLUB. Siberian husky. Disponível em: <http://www.akc.org/dog-breeds/siberian-husky/>. Acesso em: 23 fev. 2017.
  2. FEDERATION CYNOLOGIQUE INTERNACIONALE. Siberian husky. Disponível em: <http://www.fci.be/en/nomenclature/siberian-husky-270.html>. Acesso em: 23 fev. 2017.
  3. GOUGH, Alex; THOMAS, Alison. Breed predispositions to disease in dogs and cats. Blackwell Publising, 2004. p 145-146.
  4. TILLEY, L. P; Smith Jr, F. W. K. Consulta veterinária em 5 minutos: Espécies Canina e Felina. Trad. Cid Figueiredo, Fabiana Buassaly, Idília Ribeiro Vanzellotti. 3 ed. Barueri, SP: Manole, 2008. 1550 p.
  5. CENTRO HOSPITALAR VETERINÁRIO. Tumor perineal no cão. Disponível em: <http://www.chv.pt/pt/unidades/oncologia/tumorperianal/detalhe.html>. Acesso em: 23 fev. 2017.
  6. TELLADO, M. N. et al. Canine oral eosinophilic granuloma treated with electrochemotherapy. Case reports in veterinary medicine, Buenos aires, v. 2014, out. 2014. Disponível em: <https://www.hindawi.com/journals/crivem/2014/519197/>.Acesso em: 23 fev. 2017.
  7. CONCEIÇÃO, D. I. L. N.  Queratite superficial crónica em canídeos: Estudo retrospectivo. 2012. 119f. Dissertação de mestrado integrado em medicina veterinária – Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa 2012. Disponível em: <https://www.repository.utl.pt/handle/10400.5/4874>. Acesso em: 23 fev. 2017.
  8. CLEMENTS, P. J. M. et al. Recent advances in understanding the spectrum of canine generalised progressive retinal atrophy. Journal of small animal practice. University of CambridgeCambridge, EUA, v. 37, p. 155-162, abr. 1996. Disponível em: <http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1748-5827.1996.tb01950.x/abstract>. Acesso em: 23 fev. 2017.

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Produzido e editado por Lucas Rodrigues.

Mayra Catharino
Médica Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), apaixonada por fotos e bichos. Enxergou na internet a oportunidade de ajudar pessoas e pets, se encantando pela blogosfera, criando assim o Divã Veterinário. Para saber mais, clique aqui

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