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Palestra: Métodos Alternativos de Conservação de Cadáveres

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Anteriormente abordei sobre o panorama geral do ensino da anatomia na atualidade (se não viu, clica aqui). Hoje daremos continuidade, falando sobre as técnicas alternativas para conservação de cadáveres (aquelas sem utilizar a imersão em formol). Lembrando que todas essas informações foram passadas em palestras da Professora Telma Sumie Masuko.

Duas soluções fixadoras foram abordadas, as quais utilizam aproximadamente 7 substâncias para conservar o cadáver. Elas facilitam a dissecação e permitem guardar o material embalado em prateleiras, ou seja, dispensam o uso das câmaras de formol. Como dito no outro post, isso é extremamente útil, pois evita a utilização excessiva do formol, substância tóxica e de caro descarte.

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Além disso, ao dissecar não há aquele cheiro forte que sobe quando conservamos da maneira tradicional. Isso ocorre porque quando tiramos da câmara, lavamos somente a superfície e não conseguimos tirar o excesso do conservante que está dentro do material. (Já imaginou uma aula de anatomia sem o cheiro, as lágrimas e a ardência que o formol provoca? Fantástico não?!)

Um cuidado especial para tomar com essa técnica de conservação, é a utilização de “luvas” de gel de formol para proteger as extremidades, que são mais susceptíveis a ação do tempo.

Outro ponto super interessante comentado foi a neutralização do formol. Uma técnica para utilizar depois do embalsamento utilizando essa substância. A neutralização irá diminuir o risco de intoxicação, pois é com a inalação que mais nos contaminamos. Porém, como na conservação tradicional deixamos imersos no formol, essa técnica teria que ser utilizada sempre, o que não é viável. Por isso as técnicas alternativas, mesmo utilizando uma concentração de formol, são tão visadas, pois permitem a neutralização. (Lógico que quando comparamos, a quantidade de formol utilizada nas técnicas alternativas é bem mais baixa)

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Por questões morais não irei compartilhar aqui nenhuma fórmula. Não acho que seja algo para publicar abertamente, pois estaria facilitando pessoas más intencionadas a utilizar tais recursos. (Caso tenha achado interessante e queira levar isso para sua faculdade, entre em contato com a Professora Telma e tente organizar uma palestra)

A plastinação, que é o que tooodo mundo está curioso, também é uma forma alternativa de conservação. Sua técnica baseia na utilização de polímeros (silicone, epóxi e poliéster). O processo pode ser feito em temperatura ambiente ou em baixas temperaturas, sendo que a primeira opção é mais barata, porém a peça sofre muita retração tecidual, principalmente do sistema nervoso.

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Cada polímero tem sua utilização mais indicada. O silicone é ótimo para conservar órgãos e peças inteiras, sendo muito utilizado para aulas da graduação. A epóxi é mais usada para cortes seriados, sendo bom para histologia, diagnóstico por imagem e para pesquisas da pós-graduação. Já o poliéster é indicado para o sistema nervoso.

As etapas de uma plastinação são: fixação, desidratação, impregnação forçada e cura. A fixação é a etapa onde ocorre o embalsamento, a neutralização (como explicado acima), a dissecação e o desengorduramento (ou seja, deixar a peça com o aspecto que você quer no final). A desidratação é necessária para ajudar na conservação. É feita com acetona e isso ajuda na impregnação forçada. A impregnação dependerá do tipo escolhido, mas o vácuo é utilizado em todos, por isso o nome impregnação forçada, pois a presença de vácuo auxilia a acetona a deixar o tecido e o polímero a penetrar. E a cura é a etapa final, a de endurecimento do polímero, feita câmaras resfriadas com gás de cura.

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Porém, toda técnica possui seus cuidados. Como na desidratação é utilizado acetona, que é extremamente volátil, existe o risco de explosão. Devido a tal perigo, é necessária uma série de medidas preventivas e estruturas de segurança, como por exemplo lâmpadas e interruptores específicos, toda a parte elétrica fora da sala que ocorrerá a desidratação, saídas de emergência, entre outros cuidados.

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Mas o mais fantástico da plastinação, pelo menos ao meu ver, é o aspecto das peças. Elas possuem uma cor mais aproximada da realidade, não aquela coloração acinzentada que o formol deixa. São mais maleáveis e não necessitam de luvas para manusear depois de prontas. Realmente é um passo significativo para o ensino da anatomia, pois melhorará o aprendizado e diminuirá os riscos das pessoas e do meio ambiente. Eu fiquei apaixonada com a técnica!

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E você, o que achou das técnicas alternativas? Deixem nos comentários as suas opiniões! Não esqueçam de compartilhar e ajudar a disseminar o conhecimento! E fica a sugestão para palestras (viu, Camvet?!)

 

Um super beijo e até a próxima!


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Mayra Catharino
Médica Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), apaixonada por fotos e bichos. Enxergou na internet a oportunidade de ajudar pessoas e pets, se encantando pela blogosfera, criando assim o Divã Veterinário. Para saber mais, clique aqui

5 Comments

  1. Olá Boa noite!!! Curso medicina veterinária e temos um projeto com cadáveres na faculdade e se possível gostaria do e-mail da responsável para conversarmos.
    Att,

    Susane.

  2. Boa noite, gostaria de solicitar se possível o e-mail de contato da proprietária da formulação pois a Lattes não foram encontrados estes dados. Este contato vem com a finalidade de fazer a contratação da mesma para uma consultoria em instituição de ensino.
    Desde já agradeço

    1. Oi, Douglas!

      Fico muito feliz em saber que há interesse em implantar a plastinação em sua Instituição. Já lhe mandei o e-mail da professora Telma via e-mail.

      Abraços!

  3. Olá boa tarde!!!!. Gostaria e muito de conhecer a fórmula dita inodora da conservação de cadáveres… curso fisioterapia e trabalho com cadáveres , tenho muito interesse, fico no aguardo…. estevao777@hotmail.com e tel: 27 98119 1720. grato.

    1. Como essa fórmula não é minha, caro Estevão, eu não possuo o direito de compartilhar.
      Mas o contato da professora está no currículo lattes que está linkado ao post. Entre em contato com ela, explicando suas necessidades e intenções. Espero que ela possa lhe informar.

      Abraços.

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