Divã Veterinário
Plantas

Plantas Tóxicas #03

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Entre uma correnteza e outra chamada “final de semestre”, consegui arrumar um tempo para respirar tranquila e escrever – mesmo que seja somente algumas horinhas, são minutos preciosos e relaxantes. Estava sentindo falta de estar por aqui!

Nessa semana que passou, eu mergulhei nos estudos, pois tinha uma prova de Produção Avícola e um trabalho de Farmacologia para apresentar (no mesmo dia!). O tema desse trabalho foi Toxicologia e quando o grupo dividiu os assuntos, acabei ficando com a parte de plantas tóxicas – Imaginem minha felicidade, pois já havia estudado um pouco sobre isso devido ao blog. Saber que o meu hobby me faz crescer também como profissional é muito gratificante.

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Mas o que isso tem a ver com o post de hoje do Divã Veterinário? Tudo! Lendo os artigos para o trabalho, achei mais algumas plantas que são tóxicas para os nossos amigos de quatro patas. – Irei dividindo em vários posts como sempre faço, acho que não pode ser muita informação, pois acabamos por não gravar nada. Então vamos lá?

A Nerium oleander L., mais conhecida como espirradeira, possui glicosídeos cianogênicos (oleandrina) e alcalóides (estrofantina), sendo ambas substâncias tóxicas para os animais. Os sintomas causados pela intoxicação pela espirradeira são: náuseas, vômitos, cólicas, diarréia muco-sanguinolenta, taquicardia (aumento dos batimentos cardíacos), bradicardia (diminuição dos batimentos cardíacos), fraqueza, depressão, cianose (coloração azul-arroxeada nas mucosas, pele e língua devido à alguma desregulação da respiração), angústia respiratória, tontura, midríase (dilatação da pupila), sonolência, torpor, coma – Algumas substâncias podem apresentar sintomas opostos, pois o quadro clínico vai variar de acordo com a quantidade de toxinas, a resposta do animal e a interação com outras substâncias.

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A mamona (Ricinus communis L.) também é conhecida como mamoeira, carrapateira, carrapateiro, carrapato, rícino, palma-de-cristo, palma-christi, castor e tartago. – Ufa, quanto nome! – Seus ativos tóxicos são a toxoalbumina (ricina) e alcaloides. Ao ingerir as sementes, que é a parte que apresenta tais substâncias, o animal pode apresentar náuseas, vômitos, cólicas abdominais, ressecamento de mucosas, hipotermia, taquicardia, vertigens, sonolência, torpor e em casos mais graves, coma e óbito.

Ricinus communis

A Melia azedarach L., que popularmente é conhecida como cinamomo, cardamomo, jasmim-de-cachorro ou jasmim-de-soldado, possui uma alcaloide neurotóxico chamado azaridina. A sintomatologia da intoxicação por esta planta consiste em náuseas, vômitos, cólicas, diarréia, confusão mental, torpor e coma.

Melia azedarach

Já a palma-de-ramos (Cyca revoluta) contém um glicosídeo tóxico chamado alfa-amino-beta-etilaminopropionico (BMAA). Tal substância provoca um quadro de vômito, diarreia, dores abdominais, polidpsia (aumento da “sede”), tremores, ataxia (falta de coordenação de movimentos musculares), convulsão, elevação das transaminases, alterações da composição do sangue, coagulopatias e coma. Outros dois nomes dados à esta planta é cica e palmeira-sagu.

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O tratamento recomendado para essas intoxicações é igual aos utilizados em casos de outras intoxicações, doenças ou acidentes: LEVE AO MÉDICO VETERINÁRIO! Somente ele possui capacidade para medicar e salvar a vida do seu amigo. Caso você queira ser útil e ajudar, preste atenção ao que seu animal possa ter ingerido, pois isso facilita e muito a escolha da terapia.

Restringir o acesso dos animais a estas plantas pode ser um boa ideia, principalmente se seu pet já andou comendo ou destruindo alguma. Dar a planta também pode ser uma opção, mas lembre-se que o vegetal também é um ser vivo e merece nosso respeito.

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Espero que o post tenha sido útil e que tenha agradado. Deixem seus comentários e sugestões! Peço desculpa pela minha ausência, mas final de período é bem puxado – ainda mais quando se mora longe dos pais!

Deixa eu voltar a mergulhar nos estudos. Torçam por mim!

 

Um super beijo e até a próxima!


Literatura utilizada:

  1. RIBOLDI, Emeline de Oliveira. Intoxicações em pequenos animais: Uma revisão. 2010. 118f. Monografia apresentada à Faculdade de Veterinária na área de Toxicologia Clínica como requisito parcial para obtenção da Graduação em Medicina Veterinária – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 2010. (download aqui)
  2. BARG, Débora Gikovate. Plantas Tóxicas. In: Curso de Fitoterapia no IBEHE / FACIS. 2004. São Paulo. Trabalho apresentado para créditos em Metodologia Científica. São Paulo: Instituto Brasileiro de Estudos Homeopáticos – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo, 2004. 24p (download aqui)

 

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Mayra Catharino
Médica Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), apaixonada por fotos e bichos. Enxergou na internet a oportunidade de ajudar pessoas e pets, se encantando pela blogosfera, criando assim o Divã Veterinário. Para saber mais, clique aqui

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