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Plantas

Plantas Tóxicas #04

Mayra Catharino1084 views

Vamos conhecer mais algumas plantas que usamos como decoração, mas que representam um risco para nossos amigos de quatro patas? – Se você não viu os outros posts dessa série, clique aqui e descubra outras plantas tóxicas para seu pet.

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A primeira espécie de hoje é a Rhododendron spp, popularmente conhecida como Azaléia. Esse vegetal possui uma substância chamada andrometatoxina, que faz parte do grupo dos glicosídeos cardiotóxicos. Quando ingerida causa inibição da bomba de sódio e potássio, resultando em uma diminuição da condutibilidade elétrica. Essa alteração será perceptível com o aparecimento de uma série de sinais clínicos: alterações cardíacas– o que justifica o nome dado a esse grupo de substância – como a bradicardia (diminuição da frequência cardíaca), bloqueios cardíacos, fibrilação ventricular ou atrial, pulso irregular entre outras e alterações no trato gastrointestinal como anorexia, cólica com tenesmo, diarreia persistente ou muco-sanguinolenta, dor abdominal, náuseas, vômito e sialorréia (salivação excessiva).

Rhododendron spp

Outra planta perigosa é a Scindapsus aureus, mais conhecida como Jibóia. Ela é muito utilizada como decoração pelo bonito efeito em cascata que suas folhas produzem. Porém essa beleza verde possui oxalato de cálcio, uma substância que quando ingerida pode provocar injúria renal, hipocalcemia e lesões no trato gastrointestinal.

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O Lírio-da-paz, cientificamente chamado de Spathiphyllum wallisii, também possui o oxalato de cálcio, causando os mesmos problemas/sintomas que a Jibóia.

Spathiphyllum-wallisii-Flower

E por último, mas não menos tóxica, a Cheflera (Schefflera arborícola). Além de possuir o oxalato de cálcio, que como já visto é uma substância tóxica para o organismo, também possui outra molécula potencialmente agressiva, a saponina. A saponina quando em contato com a pele pode causar uma dermatite; já quando ingerida causa um quadro irritação gastrointestinal, notada pela presença de vômito, diarreia e sialorréia. Outros sintomas mais graves como glossite (inflamação da língua), convulsão e dispneia podem ocorrer.

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Saber que uma planta possui um potencial tóxico não necessariamente quer dizer que você precisa se livrar dela, afinal as plantas são seres vivos e merecem respeito e cuidados também. Esse conhecimento é importante para avaliarmos melhor as ações de nossos animais e assim, definir as medidas preventivas adequadas. E essas medidas variam de animal para animal. Às vezes colocar em um lugar inacessível como prateleiras altas de uma estante já é o suficiente para alguns cães. Outras vezes é necessário restringir o acesso do animal ao local onde o cultivo é realizado. Já nos casos dos mais pestinhas, não tem jeito, o melhor mesmo é doar a planta para algum conhecido.

Como já dito, essas ações variam conforme o temperamento e a espécie do animal e cabe ao dono achar a mais adequada e conveniente. Importante lembrar que os gatos podem escalar os móveis e os filhotes tendem a mastigar as coisas, principalmente na época do nascimento dos dentes.

Já foi falado em outros posts da série, mas é importante frisar sempre: O tratamento de intoxicações é o mesmo utilizado em acidentes e doenças e consiste em LEVAR O ANIMAL AO MÉDICO VETERINÁRIO! Só esse profissional possui a formação para medicar e fazer procedimentos afim de restaurar a saúde do seu amigo. Esqueça as receitas caseiras e os atendimentos de balcão, não brinque com a vida do seu pet!

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Mas isso provavelmente não acontecerá, pois você é leitor do Divã Veterinário e está sempre atento ao ambiente que rodeia seu animal de estimação, certo?!

Espero que esse post tenha sido útil. Não esqueçam de compartilhar para ajudar a esclarecer novas pessoas. Comentários e sugestões são sempre bem-vindos!

 

Um SUPER beijo e até a próxima!


Literatura utilizada:

  1. RIBOLDI, Emeline de Oliveira. Intoxicações em pequenos animais: Uma revisão. 2010. 118f. Monografia apresentada à Faculdade de Veterinária na área de Toxicologia Clínica como requisito parcial para obtenção da Graduação em Medicina Veterinária – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 2010. (download aqui)

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Mayra Catharino
Médica Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), apaixonada por fotos e bichos. Enxergou na internet a oportunidade de ajudar pessoas e pets, se encantando pela blogosfera, criando assim o Divã Veterinário. Para saber mais, clique aqui

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