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Transporte de Animais – Avião

Mayra Catharino527 views

Dia 22 de maio foi feriado aqui em Viçosa, pois é dia da padroeira da cidade, a Santa Rita. Aproveitei essa folguinha e fui para Santos, visitar minha amada família. Como meu pai conseguiu uma promoção na passagem aérea, voltei no domingo por Belo Horizonte.

Quando estava acomodada em minha poltrona no avião, avistei uma senhora embarcar na aeronave com seu pet. Observei as séries de procedimentos seguidos pela tripulação e após uma conversa com a comissária de bordo, mergulhei em um pequeno estudo para trazer informações sobre o transporte de animais em aviões. Achei que seria um assunto bem interessante para o blog.

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Segundo os Guias do Passageiro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a forma de transporte dos animais fica a critério da companhia aérea. Ou seja, as regras para o embarque dos pets são estabelecidas pela empresa. É extremamente importante verificar quais são estas regras, para não sermos surpreendidos de maneira desagradável, pois muitos pontos mudam drasticamente.

O transporte de animais é um serviço cobrado a parte e varia conforme a companhia. Há aquelas que possuem taxas fixas, já outras utilizam o peso do animal para calcular. – Os preços variam de uma forma absurda, então fazer uma pesquisa básica é super importante para não sair na desvantagem!

Há dois locais no avião em que o animal poderá ser transportado: na cabine de passageiros (embaixo do assento) ou no porão. Essas opções seguem uma série de critérios, como idade, peso, raça, caixa de transporte, destino e algumas outras. Lembrando que nem todas as companhias aéreas possuem essas duas opções. Ou podem possuir outros serviços especiais. (Deixarei o link das principais companhias aéreas no final do post)

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Pode ainda haver restrições quanto a classe (econômica, primeira etc). Ou em casos de conexões e companhias parceiras – Importante verificar isso antes de comprar a passagem. Fora que a tarifa pelo transporte do pet pode ser cobrada pelos trechos e não pela viagem toda. Então MUITA ATENÇÃO!

Em relação a idade, algumas empresas aéreas permitem o transporte de filhotes, outras não. Na Gol é permitido somente o embarque de animais acima de 4 meses de idade. Já na Tam e na Avianca não são permitidos animais abaixo de 8 semanas de idade, pois eles são muito susceptíveis a desidratação causada pelo transporte aéreo. Ainda nessas mesmas duas empresas, animais entre a 9ª e a 12ª semana só serão permitidos com autorização de um médico veterinário, tanto por causa da desidratação, quanto pela ausência de vacinação devido à idade.

Animais em gestação também são recusados por algumas. Outras estipulam os dias de gestação que são permitidos, exigindo uma autorização escrita do médico veterinário atestando as boas condições e que não há o risco de nascimento durante o voo – Essa parte eu discordo um pouco, pois não há como o médico veterinário dar certeza que não há risco e sim que eles são muito baixos.

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O peso do animal será um dos principais critérios para poder utilizar a cabine de passageiros para o transporte, sendo esse um critério bastante variável. Na Azul somente é permitido animais que juntamente com sua caixa de transporte pesem 5 kg. Já na Avianca esse limite sobe para 8 kg. A Tam é a empresa mais tolerante, aceitando até 10 kg. Na Gol não há restrição sobre o peso e somente sobre a caixa de transporte, o próximo item discutido. Animais acima do peso estipulado serão transportados no porão ou em algum serviço especial, caso a empresa possua essas opções.

Em todas as companhias, as dimensões e os materiais da caixa de transporte são especificados. Tais valores variam devido ao espaço disponível embaixo do banco, local aonde o animal ficará durante toda a viagem (nos casos de transporte na cabine). Na grande maioria, materiais permeáveis, como madeira, não são permitidos. Além disso, há a necessidade de forrar a caixa, dependendo não somente da empresa, mas como das horas de viagem. – Para esse caso, recomendo a utilização de “fraudas” higiênicas, aquelas que parecem um tapete. São ótimas para absorver e evitam acidentes.

A raça também é um fator levado em consideração. Animais braquicefálicos (focinho achatado) são mais susceptíveis as mudanças de temperatura, pressão e ventilação e por isso algumas companhias optam por não transportá-las. Outra restrição em relação as raças, é a utilização de focinheiras para o acesso ao terminal.

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Há um limite de animais por aeronave, previamente estipulado pela companhia. Há também aquelas que não transportam no mesmo avião animais com “incompatibilidades” naturais (Ex: A Tam não transporta cães e gatos no porão do mesmo avião).

Algumas empresas exigem, outras permitem e também há aquelas proíbem a sedação dos animais. – Muito importante avaliar esse quesito e conversar com o médico veterinário sobre a melhor opção.

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Além dessa série de critérios, há também os documentos necessários como carteirinha de vacinação, atestado de saúde, certificado zoosanitário internacional (CZI), laudo de sorologia, entre outros. Essas exigências geralmente estão de acordo com a legislação do destino da viagem.

Fora essa série de estipulações, que são informadas para nós passageiros, há outras orientações passadas para a tripulação a fim de manter a ordem e a segurança durante o vôo. A primeira delas é que a caixa de transporte (com o animal) deverá ser acomodada embaixo da poltrona a frente do dono, pois é o local mais seguro para o pet em casos de turbulências e outros problemas. A segunda é que os animais só poderão ser acomodados abaixo das cadeiras da janela, pois caso haja alguma emergência, o animal não corre o risco de ser pisoteado. Nas saídas de emergência são estritamente proibidas a presença de qualquer bagagem e isso inclui a caixa de transporte. E em casos de outros passageiros que se incomodem com a presença do animal, o comissário de bordo deverá providenciar a troca de lugar para essa pessoa.

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Um ponto importante a se esclarecer é que estes critérios e opções são aplicados somente a cães e gatos. Outros tipos de pets seguem outras regras. Lembrando que animais silvestres necessitam de autorização prévia expedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama).

Cães-guias NÃO seguem essas regras! Seu embarque é GRATUITO e eles devem ir na primeira fileira (local reservado para portadores de necessidades especiais), ao pé de seu dono e não necessitam de focinheira.

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Espero ter esclarecido alguns pontos e mostrado a importância de se informar caso queira transportar seu amigo de quatro patas. Mil desculpas pelo post quilométrico! E desculpas também pelo post extremamente informativo e pouco pessoal, mas o conteúdo era grande. Os links das principais companhias aéreas estão logo abaixo.

Um SUPER beijo e até a próxima!


Literatura utilizada:

  1. Guia do Passageiro – Anac (clique aqui)
  2. Guia do Passageiro – Anvisa (clique aqui)
  3. Transporte de animais pela Avianca (clique aqui)
  4. Transporte de animais pela Azul (clique aqui)
  5. Transporte de animais pela Gol (clique aqui)
  6. Trasporte de animais pela Tam (clique aqui)

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Mayra Catharino
Médica Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), apaixonada por fotos e bichos. Enxergou na internet a oportunidade de ajudar pessoas e pets, se encantando pela blogosfera, criando assim o Divã Veterinário. Para saber mais, clique aqui

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